Enquanto diversos setores do mercado de trabalho enfrentam excesso de profissionais, a aviação civil vive o cenário oposto. Considerada uma das carreiras mais bem remuneradas do mundo, a profissão de piloto de avião atravessa uma escassez sem precedentes, problema que já afeta companhias aéreas no Brasil e em outros países. A informação é do jornal A Tarde.
A crise é consequência de um efeito em cadeia iniciado durante a pandemia de covid-19. Com a paralisação das atividades e a incerteza sobre o futuro das viagens aéreas, programas de formação de novos pilotos foram interrompidos em diversos países. Quando a demanda por voos voltou a crescer de forma acelerada, o mercado não contava com profissionais suficientes para sustentar o aumento das operações.
O quadro se agravou com a aposentadoria antecipada de muitos pilotos experientes, que aproveitaram o período de instabilidade para deixar a carreira. Como resultado, formou-se um déficit global de profissionais, cuja recomposição deve levar anos.

Apesar da falta de mão de obra — ou justamente por causa dela — os salários seguem atrativos. No Brasil, a remuneração média de um piloto, considerando a categoria mais comum entre os profissionais registrados, é de cerca de R$ 20 mil por mês. Esse valor, no entanto, varia conforme o tipo de aeronave operada, o segmento de atuação e o nível de experiência.
Atualmente, o país possui seis principais classificações de pilotos, de acordo com levantamento do UOL:
- Piloto de aeronaves
- Instrutor de voo
- Piloto de ensaios em voo
- Piloto comercial (exceto linha aérea)
- Piloto comercial de helicóptero (exceto linha aérea)
- Piloto agrícola
Para o especialista Christoph Klingenberg, da Universidade de Ciências Aplicadas de Worms, na Alemanha, a normalização do mercado global de pilotos ainda deve levar algum tempo. “A situação deve demorar alguns anos para voltar ao equilíbrio”, avalia.