A vida de pessoas que são gêmeas é marcada por muitas coincidências, como confirmam muitas histórias contadas em várias famílias brasileiras. Mas o que aconteceu às trigêmeas Beatriz, Letícia e Yasmin Oliveira, de 18 anos, é incomum
Após passarem toda a trajetória escolar juntas, elas compartilham a conquista de terem sido aprovadas em universidades públicas no mesmo ano.
As três concluíram o Ensino Médio na rede pública, na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Dr. César Cals, localizada no Centro de Fortaleza.
Ao longo de 2025, encararam uma rotina intensa para conciliar o último ano escolar com a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio e outros vestibulares. À medida que os resultados foram sendo divulgados, veio a confirmação do sonho: todas haviam conquistado vagas no ensino público superior.
Beatriz garantiu aprovação em Ciência da Computação no Instituto Federal do Ceará (campus de Maracanaú). Com a nota do Enem, também conseguiu bolsa pelo Programa Universidade para Todos para cursar a mesma graduação em uma instituição privada, mas optou pelo IFCE após conversar com professores e colegas e conhecer melhor a estrutura da instituição.
Letícia ingressou em Serviço Social na Universidade Estadual do Ceará. Depois dos primeiros dias de integração, contou que está entusiasmada com a experiência universitária.
Yasmin também foi aprovada na Uece, no curso de Ciências Biológicas. Embora animada para iniciar as aulas, ela mantém o objetivo de cursar Medicina e pretende continuar estudando para novos processos seletivos.
Uma trajetória de parceria
Moradoras do Centro de Fortaleza, as irmãs estudaram juntas até o Ensino Fundamental. A primeira separação ocorreu no Ensino Médio, quando passaram a integrar turmas diferentes — mas continuavam indo e voltando da escola juntas e se encontrando nos intervalos.
No ano dos vestibulares, a rotina ficou ainda mais exigente. Pela manhã, assistiam às aulas da 3ª série; à tarde, dividiam o tempo entre cursinho e atividades complementares, como oficinas de redação e aulas específicas. À noite, mantinham o hábito de estudar em grupo, aproveitando as afinidades de cada uma: Beatriz ajudava em matemática, enquanto Letícia reforçava conteúdos de história.
“Teve vários momentos em que a gente tava estudando juntas e que uma de nós queria mudar o foco, fazer qualquer outra coisa. Aí uma ia lá e puxava e dizia ‘não gente, temos que terminar, vamos estudar’…”, contou Letícia, em entrevista ao portal G1.
Segundo elas, o estudo coletivo foi fundamental tanto para o aprendizado quanto para manter o foco. Quando alguma se distraía, outra incentivava a retomar o ritmo. Para Yasmin, compartilhar o conhecimento tornou o processo menos pesado e mais produtivo.
“Deu certo pra gente e pode dar certo para outras pessoas. Eu acho que o estudo individual fica um pouco mais puxado, mais pesado quando você se isola. Quando você estuda com outras pessoas, o contato é muito bom, compartilhar o conhecimento é muito bom”, acrescenta Yasmin
Agora, mesmo em universidades diferentes, as trigêmeas acreditam que a parceria construída ao longo da vida escolar continuará fazendo parte da nova etapa que se inicia.