Por Redação
A transição entre os bancos da universidade e o canteiro de obras ou o escritório de projetos é, muitas vezes, um choque de realidade para recém-formados. Embora o Brasil registre uma demanda crescente por profissionais qualificados em infraestrutura, tecnologia e energia, a “dor do crescimento” na engenharia tem afastado jovens talentos ou gerado insegurança nos veteranos acadêmicos.
Este cenário foi o tema central do painel “Conexão Profissional: Desmistificando o Mercado de Trabalho”, realizado durante o último Fórum Nacional de Engenharia e Tecnologia. Na ocasião, engenheiros de diversas áreas — civil, elétrica e de produção — detalharam os principais obstáculos enfrentados no início da jornada profissional.
Confira os pontos cruciais destacados pelos especialistas durante o evento:
1. O Abismo entre a Teoria e a Prática
O maior consenso entre os profissionais no painel foi que a universidade ensina a calcular, mas o mercado exige executar. “Na faculdade, os problemas têm dados exatos e uma única resposta correta. No campo, você lida com falta de insumos, prazos apertados e variáveis climáticas que nenhum livro previu”, explicou Ricardo Menezes, engenheiro civil com 15 anos de experiência e um dos palestrantes.
2. A Barreira das Soft Skills
A engenharia é historicamente vista como uma ciência exata, mas o dia a dia é puramente humano. Durante o “Conexão Profissional”, os palestrantes reforçaram que recém-formados costumam ter dificuldade em:
Gestão de pessoas: Liderar equipes de operários ou técnicos.
Comunicação assertiva: Traduzir termos técnicos para clientes ou investidores.
Resolução de conflitos: Lidar com erros de execução e pressão por custos.
3. A Velocidade das Normas e Tecnologias
O ingresso na carreira exige um aprendizado contínuo que vai além do diploma. A atualização constante sobre as normas da ABNT e o domínio de softwares como BIM (Building Information Modeling) e ferramentas de IA para otimização de cálculos foram apontados no painel como diferenciais que muitos estudantes ainda não dominam ao sair da graduação.
Dicas para quem está começando
Ao final do painel, os especialistas deixaram três recomendações fundamentais para os estudantes presentes:
Estágios focados em campo: Fugir apenas do trabalho burocrático de escritório para entender a dinâmica real da obra ou fábrica.
Networking real: Participar de eventos como este e se aproximar dos conselhos regionais (CREA).
Domínio de Idiomas: A engenharia moderna é globalizada e a leitura de manuais técnicos em inglês é obrigatória para quem busca altos salários.