Mulheres jovens enfrentam barreiras estruturais para ingressar no mercado de trabalho, aponta MTE

Sobrecarga de cuidados familiares, falta de políticas públicas e empregos de baixa qualidade limitam a inclusão de brasileiras entre 14 e 24 anos

Apesar da melhora gradual nos índices de ocupação juvenil no país, a inclusão de mulheres jovens no mercado de trabalho segue marcada por obstáculos estruturais e persistentes. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que fatores sociais, econômicos e institucionais continuam restringindo as oportunidades para brasileiras entre 14 e 24 anos, ampliando desigualdades de gênero desde o início da vida profissional.

Um dos principais entraves é a sobrecarga com cuidados domésticos e familiares. As mulheres representam a maioria entre os jovens que não estudam nem trabalham, o grupo conhecido como “nem-nem”. No fim de 2024, enquanto havia cerca de 1,9 milhão de homens nessa condição, o número de mulheres alcançava 3,3 milhões. Segundo o MTE, muitas dessas jovens permanecem fora do mercado por assumirem responsabilidades como o cuidado de irmãos, filhos ou parentes doentes.

A situação é agravada pela insuficiência de políticas públicas de apoio, especialmente no que diz respeito à oferta de creches e ao ensino em tempo integral. A ausência dessa infraestrutura social dificulta tanto a busca por qualificação quanto a manutenção de um emprego, criando um ciclo de exclusão que atinge principalmente mulheres de baixa renda.

Outro ponto de atenção é o risco de exclusão de longo prazo. A permanência prolongada fora da escola e do mercado de trabalho reduz significativamente as chances de reingresso futuro, comprometendo a trajetória profissional e a autonomia financeira dessas jovens. Especialistas alertam que quanto maior o tempo de afastamento, maiores são as barreiras para a retomada da vida produtiva.

Mesmo entre aquelas que conseguem se inserir no mercado, os desafios persistem. A baixa qualidade das ocupações e da remuneração é um fator comum: 67,1% dos jovens trabalhadores recebem salários abaixo da média nacional. Além disso, cerca de metade das vagas formais destinadas a esse público concentra-se em funções com tarefas repetitivas e alto potencial de automação, o que limita perspectivas de crescimento e qualificação ao longo da carreira.

Diante desse cenário, o MTE destaca a necessidade de qualificação técnica e tecnológica como estratégia central para ampliar a empregabilidade juvenil. Segundo a subsecretária da pasta, conectar o trabalho à formação voltada para novas tecnologias é fundamental, sobretudo para jovens que estão atualmente fora do mercado.

Em síntese, os dados indicam que o avanço da inclusão de mulheres jovens no mercado de trabalho depende de mais do que o aquecimento econômico. Exige políticas públicas integradas que permitam conciliar responsabilidades familiares, acesso à educação e oportunidades profissionais, evitando que essas jovens fiquem restritas a ocupações de baixo valor agregado e com pouca perspectiva de futuro.