Comissário de bordo: quanto ganha, quais os requisitos e como funciona a carreira

Profissão combina exigências técnicas, rotina regulamentada e possibilidades de ascensão, com salários que podem chegar a R$ 6 mil mensais e forte valorização de idiomas e formação especializada

A carreira de comissário de bordo segue despertando interesse no Brasil por reunir remuneração atrativa, possibilidade de crescimento profissional e atuação em um setor altamente regulado. Mais do que atender passageiros, o profissional é peça-chave na segurança do voo e precisa cumprir uma série de exigências legais, técnicas e médicas para ingressar e permanecer na função.

O salário-base inicial do comissário de bordo gira em torno de R$ 2.700, conforme o piso estabelecido pela Convenção Coletiva de Trabalho 2024/2025. No entanto, a remuneração total costuma variar entre R$ 4.000 e R$ 6.000 mensais, graças a adicionais como horas de voo, compensação orgânica, tempo em solo, sobreaviso e vale-alimentação. Companhias como Latam e Gol, por exemplo, pagam valores acima do piso nacional. Além disso, há diárias de hospedagem e alimentação quando o profissional está fora de sua base, destinadas a cobrir despesas operacionais.

Para ingressar na carreira, é obrigatório ter ensino médio completo, idade mínima de 18 anos, estar em dia com as obrigações eleitorais e, no caso dos homens, militares. Também é exigida plena aptidão física e psicológica, comprovada pelo Certificado Médico Aeronáutico (CMA) de segunda classe. Embora a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) tenha flexibilizado, desde janeiro de 2024, a obrigatoriedade do curso em escola homologada e do exame teórico para concessão da licença, as companhias aéreas continuam valorizando fortemente a formação técnica específica, que dura de três a cinco meses e pode custar entre R$ 2 mil e R$ 7 mil.

O domínio de idiomas estrangeiros é outro fator decisivo. O inglês, em nível intermediário ou superior, costuma ser exigência básica, enquanto espanhol e outros idiomas funcionam como diferencial competitivo. Algumas empresas também valorizam conhecimentos em Libras, alinhados a políticas de acessibilidade, além de experiência prévia em atendimento ao cliente e habilidades comportamentais como empatia, equilíbrio emocional e foco em segurança.

A rotina de trabalho é rigidamente regulamentada pela Lei do Aeronauta (Lei nº 13.475/2017) e pelo RBAC-117 da ANAC, que estabelecem limites de jornada, horas de voo e descanso obrigatório. A legislação garante pelo menos 10 folgas mensais, sendo duas obrigatoriamente em fins de semana completos. As horas de voo mensais variam conforme o tipo de aeronave, podendo chegar a 80 horas em aviões a jato, enquanto a jornada diária pode oscilar entre 9 e 18 horas, dependendo da operação.

Comissário de bordo: quanto ganha, quais são os requisitos e como funciona a carreira no Brasil
Comissário de bordo: quanto ganha, quais são os requisitos e como funciona a carreira no Brasil

Além da estabilidade e da remuneração, a carreira oferece oportunidades de crescimento. O profissional pode avançar verticalmente, tornando-se chefe de cabine, instrutor ou examinador credenciado pela ANAC, ou migrar para áreas estratégicas como operações em solo e segurança de voo. Experiência em rotas internacionais, capacitação contínua e desenvolvimento de competências de liderança são fatores determinantes para essa progressão.

Diante desse cenário, a profissão de comissário de bordo se consolida como uma carreira estruturada e exigente, que alia responsabilidade, qualificação técnica e perspectivas de evolução dentro das companhias aéreas brasileiras e internacionais.